quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Chegando a Abrolhos e Abrolhos enfim

A noite transcorreu tranqüila, dentro das possibilidades.
Troca de turno, mar agitado, motor funcionando, mas nada de aparecer baleia perto de nós.

De manhã, todos já no convés, esperando para divisar ao longe os primeiros sinais de Abrolhos.

De repente, ao longe alguém começou a ver alguns espirros, e depois um salto.
Era a tão esperada baleia.
Mas elas são muito rápidas e não esperam a gente ir pegar a maquina fotográfica.Mesmo assim, quando surgia um espiro ao longe tentávamos fotografar.
Vou colocar as fotos melhores que conseguimos, mas não dá para garantir bom visual.

Tomamos nosso café animados com a perspectiva da chegada e finalmente começamos divisar ao longe os primeiros sinais.
Terra a vista.

A emoção é muita, principalmente para quem quer ver o Farol de Abrolhos, conhecido e procurado por todos os velejadores que viajam de outros continentes para cá.

Ele foi mandado construir por D. Pedro II, com projeto francês e construção também francesa, com escadarias em ferro.
Sua luz segundo dizem pode ser vista a 50 milhas de distancia.

Como estamos chegando por volta do meio dia aos poucos vemos as pedras eos recifes aparentes na superfície e o morro da Ilha de Santa Bárbara.
O arquipélago de Abrolhos é constituído por cinco ilhas: Santa Bárbara, Siriba, Sueste, Redonda e Guarita.

Pelas condições do tempo vamos fundear ( jogar ancoras), em frente a ilha de Santa Barbara, que é zona militar, onde existe uma guarnição da marinha brasileira.

Chamamos a radio Farol de Abrolhos, informamois de nossa chegada e solicitamos autorização para atracar.
Autorização concedida, fazemos uma volta bem devagar com o barco, desfilando em frente a ilha e procurando um bom atracadouro.

Na ilha de Santa Barbara só é permitido descer com autorização especial da marinha, autorização esta que deve ser obtida junto ao comando da marinha, em Salvador. Ssem autorização nada feito.

O CCL- cruzeiro Costa Leste tem esta autorização, mas para amanhã.
Hoje, nem pensar.

Fomos chegando devagar e a emoção de estar ali é imensa.
Águas cristalinas, transparentes, que se os recifes de coral, mesmo sem mergulhar.
As aves volteando os veleiros, normalmente fragatas ou um ou outro Benedito ( andorinha do mar preta).

Os atobás vão e vem buscando comida para seus filhotes.

Fundeamos muito bem abrigados em meio a outros veleiros mais rápidos que haviam chegado antes de nós.

Ficamos perto do BoraBora ( da Dani e do Marcelo) que é o veliro que tem a maior tripulação do Costa Leste. Eles estão em 06 pessoas.

O barco tem 33 pés e o projeto é muito bom, mas caber o Marcelo, a Dani, o Rafael, a Mariza mãe da Dani, o Adriel , a Adriele e o Danilo deve ser barra .

Ao nosso lado joga ancora o Timshell, que é um pouco menor que o Dona Rô.

Já devemos estar nuns 30 veleiros. Falta chegar muita gente, inclusive o Brisa Sul, do Augusto e da Silvia, piracicabanos.

Assim que fundeamos veio um bote inflável com o pessoal do IBAMA, que não é mais do IBAMA e sim do Instituto Chico Mendes de Proteção Ambiental.

A Berna, como a Bernadete é conhecida, sobe a bordo para explicar sobre os passeios nas ilhas e sobre a caminhada na ilha Siriba, seguida dos mergulhos simples em volta da ilha.

Ela conta que já trabalha lá há mais ou menos 20 anos. A equipe que trabalha em Abrolhos atualmente é composta de 03 pessoas.
Cobra-nos R$ 10,00 que é a taxa para visita na ilha Siriba.

Pagamos, e a Berna nos forneceu os devidos recibos e aproveita para informar que são eles também os responsáveis pela venda de camisetas, bonés e lembranças de Abrolhos.

A equipe toda é super simpática, o Felipe, o Fabio e a Berna em especial.

Depois de meia hora de papo já somos todos, velhos amigos.

Vou para o bote deles para tirar fotos.E eless partem para visitar os outros veleiros.

Estamos mortos de cansaço, mas pulamos naquela água maravilhosa para nos refrescarmos. Uma delícia e tanta beleza que alguns minutos depois já nos esquecemos do cansaço.

Enquanto os homens se refestelam, preparo nosso almoço/janta, pois já são quase 04 da tarde.

Quando já está quase pronto, chega o Brisa Sul, com o Daniel como sempre completamente mareado e passando mal.
Daniel é depositado na ilha de Santa Barbara, mesmo sem autorização para descida.

Depois de algum tempo é resgatado e volta já medicado e com um pacote de chá de boldo que a esposa do encarregado pela ilha, lhe havia dado.

Almoçamos juntos, vendo a tarde ir embora e a noite chegar, com um por de sol magnífico.
Lógico que brindamos com vinho, cerveja e refrigerante para os mareados.

Teremos muito trabalho amanhã.
Hoje somente bate papo e bom sono.
Se o mar bateu ninguém percebeu.


ABROLHOS – amanhecer de um novo dia.


O dia 06 de agosto amanhece e nós, já descansados dos dois dias de mar direto, começamos o dia com um bom café da manhã e muita animação.

Enquanto faço limpeza dentro do veleiro, os homens vão fazer os consertos necessários, pois veleiro sempre tem reparos a fazer.

Além dos reparos os homens são responsáveis pela limpeza externa do barco.
Lavar convés, e outros que tais.

Termino a limpeza e vou passear de botinho inflável.

Passo pelo veleiro Makai, do Renato e Da Luciana, que são hiper simpáticos, e eles me chamam e pedem para levar um tripulante deles até a praia.

Eta mineirinho bom de papo. Ele me conta que a viagem rendeu a primeira grande desavença em sua vida de casado, pois a esposa não queria que ele fizesse a viagem. Neste papo chegamos próximos dailha de santa Barbara , que não tem praia para descermos. Tem somente recifes e muito ouriço mar.
Tivemos que fazer um malabarismo para que o carona pudesse descer. Como ele o entende nada de nada, quase me fez virar junto com o bote. No fim tudo deu certo e depois rimos muito do episódio.

Voltando para o Dona Rô, nos preparamos todos para descer na ilha de Santa Bárbara, onde haveria um mega churrasco, junto com o pessoal da marinha, com o pessoal do ICHM, antigo IBAMA.

Como somos uma tripulação de peso, o René ficou na direção do botinho para nos levar aos pucos.
O proimeiro a ir foi o Roberto Azeredo, que levou junto consigo, refrigerantes, cerveja e um galão de água potável.
Tudo sem gelo, pois o nosso gelo já acabou.
Como é difícil de atracar e não dá para andar nos recifes e no meio dos ouriços, sem estar calçado, o Roberto teve que usar seu lindo tênis próprio para isto, mas que ele só está acostumado a desfilar no Broa. Foi difícil de convence – lo que o tênis não é só para fazer pose.
Mas o melhor estava por vir. O tombo que ele Robertão levou .
O galão de água espatifou e toca o René buscar outro.
Por fim toda a tripulação estava na ilha de Santa Barbara e o churras já rolava a todo vapor.
A decepção foi quando quisemos passear pela ilha e o encarregado sargento Batista não permitiu alegando que a autorização havia expirado.
Muita conversa depois, um bom vinho de presente e a solcitação de nosso comodoro Janjão, foi marcada uma visit a ao farol, para as 05 horas da tarde.

Participaram do churras além do pessoal do cruzeiro Costa Leste a tripulação de dois veleiros estrangeiros que estavam ancorados lá . Um deles inglês, com uma família pai, mãe e 03 filhos viajando pelo mundo. O outro, um veleiro Frances, em que viajavam pai uma filha de 08 anos e um filho de 15 anos. Segundo eles, tinham saído da Bretanha e estavam indo para a Argentina visitar a mãe.
A meninada comeu carne até mais não poder, inclusive churrasco de bode que fez o maior sucesso.

Estavam no churrasco os cabos eo sargento que moram em Abrolhos e também suas famílias. Entre as esposas, a Ana Lucia, figura super simpática que convidou um grupo de velejadoras apar conhecer sua casa. Subimos para lá .As casas são ótimas. Tem de tudo e o sistema de captação de água é feito pelas calhas do telhado, uma vez que não há água na ilha. Em baixo das casas existem grandes cisternas, onde fica acumulada a água que NE consumida pelo morador, Somente água de chuva, Em anos de muito pouca chuva a Marinha envia um barco com carregamento de água.

Quando saímos da casa de Ana Lucia, sua filha Laís havia preparado uma caminhada pela ilha, para conhecer a cruz ali colocada como marco e chamada de Ponto Fixo, bem como os atobás em seus ninhos.
Caminhada longa e subindo, mas muito agradável, pouco mais de 05 kms. Valeu a pena. Avista de lá é deslumbrante.
Ao voltarmos o cabo Braga nos esperava para conhecermos o outro lado da ilha e finalmente irmos até o farol.

Estávamos em torno de umas 30 pessoas. O cabo Luis Gonzaga, marido de Ana Lucia ficou encarregado de sair com um grupo e nos dividimos.

Saímos com o cabo Braga, que nos mostrou as moradias dos militares ( 06 casas) e a casa do pessoal do IBAMA. Depois fomos conhecer a capela de Santa Bárbara que foi mandada construir pelas famílias que moraram na ilha . É dedicada a Santa Barbara, protetoira das tempestades.

Enquanto isto, o outro grupo foi ao farol.

Seremos os últimos e veremos o por do sol lá do farol’Dizem que é um espetáculo inesquecível e constatamos que é verdadeiramente. Vale subir os 72 degraus internos do farol.

Mas a maior emoção mesmo foi as 18 horas quando o cabo Braga pediu a mim, Dona Rô, mais as amigas Vera e Zilda, para que acendêssemos a luz do farol e que eu ligasse o botão para fazer os cristais girarem. Emoção total, com muitas lágrimas.
Ficamos um tempão extasiados e depois descemos.

Fomos conhecer as instalações da radio Farol de Abrolhos e finalmente voltamos para a praia.

Já estávamos somente os tripulantes dos veleiros Dona Rô, Piatã e Triumfo II.

Momento de paz e tranqüilidade.

Uma noite de muito bom sono após tantas emoções.

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