Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em tí fechada e eu apenas vejo
Os muros e as paredes e não vejo
Nem o crescer do mar nem o mudar das luas.
Saber que tomas em tí a minha vida,
E que arrastas pela sombra das pardes
A minha alma que fora prometida
ãs ondas brancas e as florestas verdes.
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